Além dos limites: Words and Music by Saint Etienne

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22 May 2012, 2:26



“Quando eu tinha dez anos eu queria explorar o mundo. (...) Eu não ia à igreja, nem precisava”, diz Sarah Cracknell, em “Over the border”, a voz à frente do trio inglês Saint Etienne, formado por ela, Pete Wiggs e Bob Stanley.

A razão de tal declaração não é explicita, mas nem precisa ser. Em vinte anos de carreira Saint Etienne deixa claro que a sua religião é a música. Depois de sete anos, finalmente, a banda inglesa dá as caras com um novo projeto: “Words and Music by Saint Etienne”, que foi lançado hoje, 21 de maio. Com um título claro e objetivo, e uma capa que acompanha um mapa musical com nomes de músicas e memórias de cada integrante.

O compositor e tecladista, Bob Stanley, disse certa vez em entrevista a revista Pitchfork que “é um álbum sobre música, sobre como a música interfere na sua vida, sobre como ela pode definir a maneira de você ver o mundo como uma criança”. Além disso, Words and Music é álbum nostálgico, no melhor sentido, onde nos identificamos com cada letra e mil lembranças musicais vêm à tona a nossa cabeça.

Com Tim Powell a cargo da produção, “Tonight”, o single carro-chefe, encontra-se com fragmentos de qualquer história de um fã por seu ídolo. O sonho de um dia poder ver seu astro favorito em um show ao vivo. “Retoque sua maquiagem. Cheque o relógio, pois a hora não passa”. Pura nostalgia! Nostalgia essa que também é encontrada em “DJ”, que é sobre como a música te inspira e te faz dançar. Alguém aqui já passou por uma situação parecida? Posso apostar que sim!

“I’ve Got Your Music” tem o efeito que é justamente tratado na composição. Da mesma forma que essa canção se encaixa no álbum , ela se encaixa na sua cabeça se repetindo, grudando e dando voltas e voltas onde quer que você vá. Uma música viciante! Tão viciante quanto “Popular” e “Last Days of Disco” onde você é tomado pela energia e se deixa imaginar em um local escuro apenas com um globo de discoteca pendurado no teto.

“When I was seventeen”, com batida eletrônica à lá Pet Shop Boys, e sua companheira “I threw it all away”, com um tom folk music, quase um resgate ao seu trabalho de 1994, Tiger bay, entoam-se como alguém que acha que não viveu sua vida de maneira certa. Mas o recado é dado: carpe diem!

O álbum encerra-se com “Haunted Jukebox”. Aquele som “mal assombrado”, aquela música que nos traz memórias especificas das relações, sejam elas quais forem, boas ou ruins. Uma maneira bastante apropriada de terminar um álbum rico com memórias de música - e com música.

“Words and Music by Saint Etienne” é a prova de que a música pop ainda pode ser feita com boas mãos. É um álbum sobre música, como havia dito, que contribue à música, feito por uma banda que contribue à cenal da música há mais de vinte anos! Saint Etienne é a prova de que uma banda pra ter uma considerável importância na cultura pop não precisa ser bem projetada no mercado americano, vender X ou entrar em charts Y ou Z.

Você pode até julgar os integrantes como bem velhos ou qualquer coisa parecida. Mas o seu entusiasmo pela música pop ainda permanece intacto. Por fim, a música é sem dúvida o que eles sabem fazer de melhor.

Eles dizem “estar apaixonados por sintetizadores”. Não importa se uptempo, midtempo, indie dance ou dance pop. O que é importa é que nesse álbum é encontrado modernidade, variedade, polidez e excitação em um caso de 13 canções. De “Over the Border” a “Haunted Jukebox”, Words and Music by Saint Etienne é um presente!

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