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  • 14/11/12

    23 Dic 2012, 14:48

    Este desabafo não terá forma de ser com ele. Então vai aqui mesmo.

    Na adolescência eu me lembrava de como classificava a relevância das minhas amizades na infância... e me envergonhava.

    Talvez porque marcar uma lista de nomes no término do caderno (adicionando/removendo pontos mediante às atitudes de cada um) fosse completamente imaturo.

    Talvez porque quando eu ficava bravo, horas depois já nem lembrava mais as razões. Apagava, refazia e borrava mais as folhas. Acabava esquecendo.

    Talvez... talvez precisasse o Alba ter visto aquelas anotações e contar ao Cândido e ao Sadao. Eles desacreditaram que eu classificava um convívio daquela forma.

    Eu levei uma lição de moral ali - e finalmente compreendi o raciocínio.

    O tempo passou, o Ensino Médio chegou... e, embora eu tivesse a companhia do Antunes, Miranda e Ragazi, parece que mesmo assim algo ainda faltava.

    Descobri naquele ano mesmo (2007).

    O irmão mais novo do Kléber Blasz tinha voltado recentemente dum estudo fracassado no exterior. Eu ainda não o conhecia...

    Até todos nos encontrarmos, em Boituva, mesmo - já que o ‘Jr’ precisava esquecer um pouco das frustrações que vivenciava.

    Eu nem pude ter uma opinião devidamente estruturada a respeito dele naquelas poucas horas do primeiro diálogo (já que ambos ficaram poucas horas). Mas daí o Kléber o convenceu a criar algum conteúdo virtual para que pudéssemos interagir com frequência razoável.

    Afinal, com Kléber indo e vindo à Europa, ‘Jr’ em SP e este que vos escreve, em Boituva, como haveria de ser, produção!?

    Minhas perguntas foram respondidas aos poucos... e, numa ou outra reunião ‘presencial’ que tínhamos, eu me convencia cada vez mais.

    O ‘Jr’ sempre foi o oposto. Um ano mais novo, anti-futebol, despreocupado, paciente, saudável. Entre outras características... ateu.

    Como discuti por causa disso. Há cinco anos, era (mais) idiota (do que atualmente) neste aspecto. Não admitia que alguém não acreditasse em entidade divina alguma. Qualquer uma que fosse.

    Mas enfim. Este foi um dos ‘obstáculos’ superados.

    Minha admiração por ele aumentou por saber que, proveniente de uma família tradicional de músicos, estava pouco se fodendo para instrumentos musicais, diferentemente do Kléber (pianista/tecladista).

    O porquê desta ‘admiração’!? Cacete, quisera eu ter um irmão disposto a me ajudar desta forma!

    Conforme o tempo passava, a amizade se fortalecia. Não lembro de uma cumplicidade daquela em minha vida, num tempo relativamente curto (2007/2010).

    Inconscientemente, eu via nele alguém que eu sempre quis ser. Não gostava do primeiro nome (‘Kleiton’). Aboliu.

    O ex-Kleiton: o ‘banger’ do rolê, que apresentou muito conteúdo musical para mim - que aguentou desabafos sobre Kotminsky’s e afins - que detestava meus comentários a respeito de games (ele não jogava nenhum, sério!) -

    Que mandava um ‘sonoro’ “Garrafa de rum” que até hoje eu não compreendi - que aguentou a maior barra da minha vida, com o óbito do Lucius (www.lastfm.com/music/Lucius+Käelsen)...

    O irmão mais novo do Kléber: o meu melhor amigo... foi simplesmente assassinado nesta noite. E eu não pude fazer nada. Não pude retornar a ligação dele de hoje à tarde. Eu sequer pude relatar que ainda dava risada da última conversa:

    “A dúvida que paira no ar: quando dá um raio, é Raikou ou Thor que estão por perto!?” “Creio que é mais provável ser a tua virgindade intacta.”

    Eu não chorei anteriormente como foi hoje, meu amigo.

    Eu não coloquei teu nome no topo da lista do caderno.

    Eu não queria que acabasse assim.

    Eu não sei mais o que fazer.

    Não era para ser assim a ordem natural das coisas, Andarienl.

    Andarienl Blasz, o ex-Kleiton... ele sim foi um irmão que outra mãe criou.