Anti-Flag e This Is A Standoff: "protesto" pacífico em São Paulo

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30 Abr 2011, 3:48

Sábado 26 Mar – Anti-Flag e This Is a Standoff

Anti-Flag e This Is A Standoff
Carioca Club, São Paulo. 26 de Março de 2011
Texto: Guilherme Schneider Moreira Dias

Pela primeira vez os fãs brasileiros de punk rock tiveram a oportunidade de assistir ao vivo o Anti-Flag, com o agradável "bônus" de This Is A Standoff como banda convidada. Com o repertório repleto de mensagens políticas o Anti-Flag mostrou na prática como se faz um comício para a juventude (muitas vezes dispersa): objetivo, claro e honesto.

Quem chegou cedo ao Carioca Club no dia 26 de março pôde encontrar os integrantes do Anti-Flag conversando calmamente com o público. Especialmente na tranquilidade passada pela figura do vocalista e guitarrista Justin Sane, que parava para tirar fotos e distribuir autógrafos. Calma e simpatia que acima de tudo são compatíveis com o discurso social do grupo de Pittsburgh, Pensilvânia (EUA).

This Is A Standoff anima o início de noite
A abertura ficou por conta dos canadenses do This Is A Standoff, que arrastaram para o Carioca Club muitos fãs também. Da caravana que partiu do Rio de Janeiro, por exemplo, a maioria foi por conta do grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Steve Rawles, ex-Belvedere (que terminou em 2005).

O hardcore melódico do This i a Standoff tem uma pegada diferente do punk rock do Anti-Flag, mas o bastante para animar as rodas. Um fã mais exaltado gritou que o que se via no palco era o puro "punk californiano canadense", com toda razão.

Por cerca de uma hora se ouviu o melhor de seus dois álbuns, Be Excited (2007) e Be Disappointed (2009). O vocalista brincava com o público: "Vocês querem ouvir uma música lenta? Uma canção de amor? Ok...", e o que se ouvia era mais uma pancada sonora para ninguém ficar parado.

De fato ninguém saiu desapontado, da sequência de abertura com Better Than All of Us e You Won't Pass, passando por Face the Sun e The Light Is Still On In Broadmoor, até a chave de ouro com o sucesso Silvio. Ficou a promessa de retorno ano que vem, para quem sabe um merecido show solo.



O protesto pacífico do Anti-Flag
Ao som de “The people united will never be defeated” (ou em bom português "O povo unido jamais será vencido") o quarteto americano subiu ao palco para alegria geral. Segundo os relatos havia menos gente na casa do que no show do Rise Against, de estilo parecido, e que se apresentara por lá um mês antes. Ao contrário do Rise Against, o Anti-Flag passou por três capitais brasileiras (Porto Alegre e Curitiba, nas noites anteriores ao show em São Paulo), talvez distribuindo melhor os fãs - que puderam se acomodar confortavelmente no Carioca Club.

O palco estava decorado com a capa do álbum Mobilize: uma estrela formada por cinco fuzis partidos ao meio. Essa mesma estrela pôde ser vista em algumas tatuagens exibidas orgulhosamente pelo local. Justin Sane (guitarra/vocal), Chris #2 (baixo/vocal), Pat Thetic (bateria) e Chris Head (guitarra) subiram ao palco já com o jogo ganho. Mesmo quem foi para ver o This Is A Standoff não resistiu à sequência inicial: The Press Corpse e Rank 'n' File, sem parar para respirar. As rodas seguiam animadas, mas bem respeitosas até mesmo por pedido da banda: "Se alguém cair ajude a levantar", incentivava constantemente Chris #2.

As mensagens contra as guerras, racismo, homofobia e demais formas de preconceito também se fizeram presentes desde o início. Quem captou o recado saiu de lá valorizando mais esse tipo protesto musical, que ficou claro em This Machine Kills Fascist e The Economy Is Suffering... Let It Die por exemplo. Antes da balada One Trillion Dollars, uma das mais populares, um alerta sobre as motivações financeiras nas guerras.

O ponto alto do show ficou para 911 for Peace (o nosso "190 pela paz", telefone da polícia), quando um fã subiu no palco e um segurança rapidamente veio segurá-lo. Imediatamente a banda parou a música dizendo que estava tudo "Ok" - e todos foram ao delírio com a atitude. No que a música recomeçou o que se viu foi o palco completamente tomado pelo público, numa cena que lembrou os shows do Pennywise, no final de 2010, com a invasão em massa na música Bro Hymn.



O show alternou músicas de várias fases da carreira do grupo, que se formou em 1988. Músicas do álbum The People Or The Gun (2009), último em estúdio, não ficaram de fora, como a ótima Sodom, Gomorrah, Washington D.C. (Sheep in Shepherds Clothing). Mas, como de praxe, as mais antigas também eram lembradas, e mesmo com músicas do primeiro álbum como Fuck Police Brutality e Drink Drank Punk, havia reclamações por mais. Ouvi uma fã bêbada xingar o Anti-Flag com dedo em riste, por "não tocarem as antigas". No exato momento responderam na volta para o bis com Die for the Government, a mais pedida (e festejada) da noite.

A reta final teve ainda o cover de The Clash, Should I Stay or Should I Go, um hino cantado em uníssono pela "nação anti-bandeiras". Para a festa punk ficar completa o baterista Pat Thetic (todos nomes cheios de trocadilhos) desceu para o meio da galera com o instrumento, e dali mesmo mandou a saideira: Power To The Peaceful. A exaltação pacifista em forma de protesto contra o sistema alegrou a noite na casa de shows.

Pat ficou por ali mesmo, junto com Justin Sane (que disse pelo Twitter que esse foi um dos shows mais memoráveis da carreira), que também desceu do palco para conversar com todos os fãs possíveis. Muitas fotos depois a banda deixou o lugar com o mesmo sorriso no rosto de quem foi assisti-los. O protesto pacífico de quem levanta uma bandeira de paz (mesmo sem querer) foi um sucesso.

Setlist: The Press Corpse; Rank 'n' File; Fuck Police Brutality; Hymn For The Dead; War Sucks, Let's Party!; The Economy Is Suffering... Let It Die; This Machine Kills Fascist; This Is The End (For You My Friend); Sodom, Gomorrah, Washington D.C. (Sheep In Shepherds Clothing); The Smartest Bomb; Mind The G.A.T.T; One Trillion Dollars; Turncoat; Underground Network; Drink, Drank, Punk; 911 for Peace; You Can Kill The Protester, But You Can't Kill The Protest; Cities Burn
Bis: Die For The Government; Should I Stay Or Should I Go (The Clash - Cover); Power to The Peaceful


Link original da resenha na Rock Brigade: http://tinyurl.com/antiflagsp

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