
Lembra da corrida pelo hype? Por um breve momento, entre os arredores dos anos 2005, a imprensa brasileira estava em desespero. Junto com produtores e entusiastas, entoxicados pelos sucesso do CSS, tentavam advinhar qual seria a próxima banda da vez no circuito indie no Brasil. Enquanto esse burburinho todo fervia, o Black Drawing Chalks estava ocupado fazendo duas coisas: shows e diversão. Quando, sem explicação ou aviso prévio, essa busca foi encerrada, o quarteto de Goiânia lançou o clipe da música My Favorite Way…
As imagens chapantes do clipe seriam suficientes para chamar atenção para o trabalho da banda. Mas, além delas, um viciante hit se formava com uma introdução de bateria e guitarras dançantes. O Black Drawing Chalks não apenas subiu imediatamente ao status de banda da vez, como conseguiu redefinir totalmente o conceito do hype na música independente. E nesse tempo, eles vem extrapolando a formula que os trouxe a esse patamar: shows e diversão, cada vez em maior intensidade.
O hype redefinido pelos Chalks – um grupo de amigos da faculdade de design que, a principio, tinham começado a banda apenas para fazer experiências com ilustrações – é muito mais saudável que aquele de antigamente. E talvez por isso não se cobre deles nada além de diversão e bons shows. A metáfora perfeita é a do “pé no chão”. Eles vão até lá os Estados Unidos, Canadá e Europa, mas vão voltar e continuar na mesma. Tocando em festivais independentes, encarar ocasionais roubadas e, com sorte, descolar umas cervejas a mais. Sem fama e glamour. Sem essa de passar para o lado do mainstream.
O que ajuda isso é a inegável representatividade da banda. Eles são a geração pós MQN e Walverdesque deu os primeiros passos para que esse tipo de rock virasse o novo rock brasileiro. E são contemporaneos de outros tantos grupos como a AMP e Bang Bang Babies, que transformam o Stoner Rock e “Rock Pedrada”, com nosso sotaque feio de inglês. O sucesso que eles fizeram – quantificado em presenças em festivais, aparições na MTV e liderança em listas de melhores do ano – reforça algo que, até então, o rock independente brasileiro nunca teve muito bem definido: identidade.
Uma identidade que remete ao que começou no Rio Grande do Sul em uma época que Flavio Bassoainda não tinha se transformado em Jupiter Maçã. Que acelera essa referência setentista em guitarras mais pesadas e em volume incrivelmente alto. Música que você escuta e automaticamente sente cheiro de cerveja e suor misturados. Como eles proprios cantam “without money and without love, trust me baby, is so fun” (sem dinheiro e sem amor, acredite querida, é muito divertido). Sem compromissos, tudo pela festa.
O rock do Black Drawing Chalks é só metade dessa equação. Apesar de terem um grande produtor –Fabrício Nobre, da Monstro Discos – a banda não tem um grande esquema de produção a seu favor. E isso permitiu a eles viajar dentro do que se transforma no polemico novo modelo de trabalho do independente brasileiro. Transformando ajuda de custo e participação na bilheteria em cachê potencializado por merchandising potenciais turnês. Garantido que um conjunto de roubadas se transforme eventualmente em um convite para evento maior, desses que pagam até as contas do fim do mês.
Esses passeios que eles fizeram garantiu formação direta de público por onde passaram. O Black Drawing Chalks já tocou em todas as principais capitais do Nordeste, fez temporadas longas no sudeste e foram anunciados em atrações nas regiões norte e sul do país. Tudo isso sem mudar a base de operações, que é a cidade natal de todos os integrantes, Goiânia. O quarteto é prova viva do final daquele antigo modelo onde só sobrevivia de música quem encarava uma mudança para São Paulo.
Isso tudo em territorio nacional. Porque pontuado por festivais como o South by Southwest(Texas) e Pop Montreal o Black Drawing Chalks já fez daquelas temporadas de shows na América do Norte que tem uma apresentação por dia, sem pausa, durante dois meses inteiros. Uma rota que é cada vez mais comum para artistas brasileiros como Lucy and the Popsonics, de Brasília. Outra turma que reforça essa teoria de que o novo hype não está em busca de glamour, mas sim de boa festas para curtir a noite.
Fonte:
http://nagulha.com.br/especial-black-drawing-chalks/
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